segunda-feira, 5 de agosto de 2013

LUZ!..

Hoje especialmente
A poesia talvez não tenha a cadência
Suave de um riacho...
Ou talvez as palavras
Aqui não caibam
Não tenham cara de luau.

Não,

Não vou dizer que sinto-me
Em frangalhos...
Desarmei-me..
Falei com Deus...
Por certo Ele,
Fitou-me cuidadosamente,
Como de costume...
Viu e sentiu um tremor escondido


Hoje meu anseio é beber forças

De um pôr do sol risonho
Respirar esperança
De dias vindouros,
Sem DORES,
Sem fios de UTI...
Mas sim o brilho no olhar
De minha mãe
O meu maior desejo
Tem nada
E tudo a ver,
Comigo...
É imaginar que o destino
Tem riscado uma estrada
De luz Divina
Um novo amanhã...
À quem luta bravamente
Pela vida..
Definitivamente,
Toda vez que penso numa palavra
Para definir minha mãe
Só me vem:
CORAGEM

Que Deus faça o melhor,

No tempo Dele.

L.L.







terça-feira, 25 de junho de 2013

"A LIGA"





Nossa fissura
Tem um toque
Tragicômico
Uma pegada
Telepática
Supersônica
Vez por outra,
Barco à deriva...
Ondas de bem...
E malquerer
Viro as costas,
Teu destino
Pouco importa
Até que seus passos
Num passe de mágica,
Sejam fisgados
Pela intempestiva
Química da saudade..
E você sabe,
O decreto que carimba
Nossa "liga"
É declaradamente 
Indecifrável
Porque é impossível
Entre nós, haver mágoas...
Imagine então
Quando nossas línguas
Se cruzam... Se cruzarem,
E falarem a língua
Que a matemática do mundo
Escasso tempo tem
Pra se dizer


by L.L.










segunda-feira, 13 de maio de 2013

MÃE E FILHA

- Bom dia! - A bênção, Mãe!...
No rosto, um riso tranquilo... Olhar curioso. Corpo franzino. A voz branda:
- Deus te abençoe!
Perguntei como estava. Sorri. Respondeu que - bem.
Outros idosos em volta. 
Minha filha também pede a bênção. Ela responde, com o mesmo olhar curioso. Admirada e ao mesmo tempo, a postura meio que alheia...
Olhei a pantufa que usava. (Fui eu quem dei, quando a memória era mais viva). Me identifiquei, falando meu apelido, e o nome de minha filha.
Veio o jantar por volta das cinco. À ela servi, calmamente. 
Perguntei se estava bom, disse que sim. E também se ela gostava do lugar, das pessoas... O gesto foi positivo. 
Fui buscar água. Pelos corredores, alguns me observavam, com aquele olhar de criança. Cumprimentei, conversei com alguns. 
Voltei para junto dela. Tomou a água sozinha.
Comentei com ela do resfriado terrível que sofri dias atrás, de um modo que 
ela entende bem, com o humor típico nordestino, próprio dela:
- Mãe, peguei uma gripe de égua. Só faltei ficar de quatro. O trem foi feio!..
Ela sorriu, dessa vez um riso largo. E sussurrou algo, tipo: - Oh meu Deus!..
Falei, dessa vez com a voz embargada: - Senti falta do seu chá. "Chá de mãe". Sinto falta do seu café... Em fração de segundos pensei:
- Vou chorar quando estiver na estrada, rumo à minha casa, do meu jeito.
Ficamos mais um tempo. E o tempo venceu, apenas naquele dia. Então a acomodamos numa cadeira de rodas. Levamos até uma funcionária da clínica.
Nos despedimos. Dessa vez ela abençoou com firmeza na voz. Eu disse, de todo coração: - Mãe, fica com Deus!.. Nossa Senhora te proteja.
Ela disse: - Amém. Você também.
Fomos embora, completamente dividida. Nenhuma lágrima. Só alimentei, além da saudade que já brotava, o sentimento de FÉ... A certeza de que minha mãe está sob a divina proteção, e que nem sempre temos os remos do destino. E por mais que uma situação "X" seja vista a olho nu, somente quem saboreia, quem atravessa literalmente o caminho, é quem pode sintetizar o valor de um sentimento genuíno de dor e resignação. 
Minha mãe tem mal de alzheimer. Vive num local com estrutura e cuidados adequados para tal problema, pois devo admitir, não sou capaz de atende-la cem por cento, com os devidos cuidados. Seria desleal de minha parte, se assumisse tal missão. Porém, me faço presente de acordo com minha capacidade. Se é fácil... Decididamente não. O nó no peito não se desfaz. Porém, não há um só dia em minha vida que não mentalizo o seu melhor. E então não levo a sério a distância. Em prece, entrego-a, não só em datas marcantes, mas a cada vez que bate a saudade... Aos cuidados especiais de JESUS CRISTO. 


L.L.



quarta-feira, 17 de abril de 2013

LAVANDO A ALMA




Se é preciso ter jogo de cintura
Respiro fundo
Abraço a causa
De mais um dia
E os desafios que
Com ele vier

Mas sem essa
De engolir o choro
Acumular tijolos
No peito,
Aquele peso
Que em nada
Vai edificar


Choro sim,
Junto à seiva bruta
De meu aconchego poético
Pois sei que cedo ou tarde
Hei de lavar o rosto,
Ressurgir das cinzas
Só não prometo
Guardar mágoa
Muito menos a lágrima
Que remedia e trata
A alma
Que me faz
Vibrar

by L.L.




"Não sou alegre nem sou triste. Sou poeta."

(Cecília Meirelles)

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A VIDA E SEUS TONS...





Não sei,
Mas acho que estou
Na ponte da idade madura...
Vejo algodão doce
E já sinto água na boca...
Ouço batucada
Os pés ficam loucos...
Vejo imagem do Mar,
É maresia nos olhos...


Não sei,
Mas penso estar na flor da idade
Da idade de viver
Como se fosse o hoje,
A última largada...
Me largando,
De encontro à vida
E tudo que nela,
For profundamente
Bom

L.L.

.

03.04
 *mais um ano de Vida...



terça-feira, 2 de abril de 2013

SEM ALARDE..



Porque há dores

E dores...
Algumas se enroscam
Sem nome
Sem alarde
Sem firula...
Porém,
Vigorosa e calma...

.


Feito a superfície
De um rio brando
Somos um manto 
Cobrindo a profundidade
Inalcançável,
Onde não se pode tocar
Nem ver,
Enquanto o movimento 
Angustiante 
Se debate
Nas entranhas 
Do Ser








L.L.

                                             
                                                     

sexta-feira, 15 de março de 2013

SAPATOS VERMELHOS



Em busca de mais um acessório
Para uma noite de cantoria.
Perambulando pelas ruas da cidade,
Entrei numa loja, meio que amarrada.
E do outro lado, o vendedor, não muito disposto...
Estávamos os dois, ali... Eu, vendo tudo na vitrine...
Flerte algum com os pares de sapatos.
As cores se embaralharam.
Tudo chamativo e nada interessante!...
Os dois, eu e o vendedor, cada qual em sua indecifrável dimensão.
Olhei, olhei... Fingi que estava procurando um modelo que havia visto
Em outra loja, mas não estava ali, nem eu também. Enfim, agradeci e saí.
Desvencilhei-me daquele momento “nada com nada”. Ufa!
Saí, respirei o ar da avenida... Olhei para o canteiro de uma rua,
Avistei uma muda que me interessou por demais.
Ficaria muito bem no pequeno jardim de minha casa.
Lembrei-me rapidamente de um viveiro... Cheinho de plantas e cheiro de verde...
A fome bateu...
As músicas do repertório reviradas na cabeça. Amanhã eu canto!...
Uma desordem estranha na mente. Estranhamente confortável.
Minha filha me liga, ficou de me buscar.
Me pergunta se encontrei os SAPATOS VERMELHOS.
Eu disse que andei, andei... Vi tanta coisa e não vi nada.
Ela sorri, e me diz: - Então vamos!... As duas cansadas.
E então faríamos uma última tentativa numa loja “X”... A caminho de casa.
Lá estava o par de sapatos que estaria comigo no dia seguinte.
Eu e a vendedora falamos a mesma língua, mais uma vez... Porém com um final feliz.
No dia seguinte, um dia normal... Até que meu músico chegue, de outra cidade,
Motorizado em duas rodas, o maluco... Todo vestido “a caráter”. Sensível... Zen até demais!...
Vamos combinar!... Também não fico de fora, mas o mestre das cordas...
Vai chegar aos 50 com dez anos a menos... Sem vícios, sem cólera... Na paz!...
Aí sim, eu entro no clima, visto a camisa... Para mais uma noite de música
E muita emoção. Um lanche, um ensaio rápido... Um pouco de riso pra ficar “relax”.
Um atraso “típico”...Reserva de mesas... Sorriso no rosto. Ouvidos ansiosos...
E o trunfo maior, uma música dos Beatles só pra começar... Brincando com a emoção.
Lá estamos nós...
Cantora e músico, ambos com sapatos na cor do coração.


LIZA LEAL