sexta-feira, 30 de agosto de 2013

GOTAS DE SAL


Ah!...
Arrepios na pele
Tremor na aura
Desses que sacodem
 De leve...
Instantaneamente 
Faz calar a fala...
Solitariamente 
Sensível...
Viajante...
Sensitiva...





Ah!...
Mar de sensibilidade
E suas ressacas...
Pôr do sol 
Que transborda
Entre gotas de sal...
E feito mini cascatas,
Desaguam...
Cenas de um filme
Da vida real...

by L.L.






segunda-feira, 5 de agosto de 2013

LUZ!..

Hoje especialmente
A poesia talvez não tenha a cadência
Suave de um riacho...
Ou talvez as palavras
Aqui não caibam
Não tenham cara de luau.

Não,

Não vou dizer que sinto-me
Em frangalhos...
Desarmei-me..
Falei com Deus...
Por certo Ele,
Fitou-me cuidadosamente,
Como de costume...
Viu e sentiu um tremor escondido


Hoje meu anseio é beber forças

De um pôr do sol risonho
Respirar esperança
De dias vindouros,
Sem DORES,
Sem fios de UTI...
Mas sim o brilho no olhar
De minha mãe
O meu maior desejo
Tem nada
E tudo a ver,
Comigo...
É imaginar que o destino
Tem riscado uma estrada
De luz Divina
Um novo amanhã...
À quem luta bravamente
Pela vida..
Definitivamente,
Toda vez que penso numa palavra
Para definir minha mãe
Só me vem:
CORAGEM

Que Deus faça o melhor,

No tempo Dele.

L.L.







terça-feira, 25 de junho de 2013

"A LIGA"





Nossa fissura
Tem um toque
Tragicômico
Uma pegada
Telepática
Supersônica
Vez por outra,
Barco à deriva...
Ondas de bem...
E malquerer
Viro as costas,
Teu destino
Pouco importa
Até que seus passos
Num passe de mágica,
Sejam fisgados
Pela intempestiva
Química da saudade..
E você sabe,
O decreto que carimba
Nossa "liga"
É declaradamente 
Indecifrável
Porque é impossível
Entre nós, haver mágoas...
Imagine então
Quando nossas línguas
Se cruzam... Se cruzarem,
E falarem a língua
Que a matemática do mundo
Escasso tempo tem
Pra se dizer


by L.L.










segunda-feira, 13 de maio de 2013

MÃE E FILHA

- Bom dia! - A bênção, Mãe!...
No rosto, um riso tranquilo... Olhar curioso. Corpo franzino. A voz branda:
- Deus te abençoe!
Perguntei como estava. Sorri. Respondeu que - bem.
Outros idosos em volta. 
Minha filha também pede a bênção. Ela responde, com o mesmo olhar curioso. Admirada e ao mesmo tempo, a postura meio que alheia...
Olhei a pantufa que usava. (Fui eu quem dei, quando a memória era mais viva). Me identifiquei, falando meu apelido, e o nome de minha filha.
Veio o jantar por volta das cinco. À ela servi, calmamente. 
Perguntei se estava bom, disse que sim. E também se ela gostava do lugar, das pessoas... O gesto foi positivo. 
Fui buscar água. Pelos corredores, alguns me observavam, com aquele olhar de criança. Cumprimentei, conversei com alguns. 
Voltei para junto dela. Tomou a água sozinha.
Comentei com ela do resfriado terrível que sofri dias atrás, de um modo que 
ela entende bem, com o humor típico nordestino, próprio dela:
- Mãe, peguei uma gripe de égua. Só faltei ficar de quatro. O trem foi feio!..
Ela sorriu, dessa vez um riso largo. E sussurrou algo, tipo: - Oh meu Deus!..
Falei, dessa vez com a voz embargada: - Senti falta do seu chá. "Chá de mãe". Sinto falta do seu café... Em fração de segundos pensei:
- Vou chorar quando estiver na estrada, rumo à minha casa, do meu jeito.
Ficamos mais um tempo. E o tempo venceu, apenas naquele dia. Então a acomodamos numa cadeira de rodas. Levamos até uma funcionária da clínica.
Nos despedimos. Dessa vez ela abençoou com firmeza na voz. Eu disse, de todo coração: - Mãe, fica com Deus!.. Nossa Senhora te proteja.
Ela disse: - Amém. Você também.
Fomos embora, completamente dividida. Nenhuma lágrima. Só alimentei, além da saudade que já brotava, o sentimento de FÉ... A certeza de que minha mãe está sob a divina proteção, e que nem sempre temos os remos do destino. E por mais que uma situação "X" seja vista a olho nu, somente quem saboreia, quem atravessa literalmente o caminho, é quem pode sintetizar o valor de um sentimento genuíno de dor e resignação. 
Minha mãe tem mal de alzheimer. Vive num local com estrutura e cuidados adequados para tal problema, pois devo admitir, não sou capaz de atende-la cem por cento, com os devidos cuidados. Seria desleal de minha parte, se assumisse tal missão. Porém, me faço presente de acordo com minha capacidade. Se é fácil... Decididamente não. O nó no peito não se desfaz. Porém, não há um só dia em minha vida que não mentalizo o seu melhor. E então não levo a sério a distância. Em prece, entrego-a, não só em datas marcantes, mas a cada vez que bate a saudade... Aos cuidados especiais de JESUS CRISTO. 


L.L.



quarta-feira, 17 de abril de 2013

LAVANDO A ALMA




Se é preciso ter jogo de cintura
Respiro fundo
Abraço a causa
De mais um dia
E os desafios que
Com ele vier

Mas sem essa
De engolir o choro
Acumular tijolos
No peito,
Aquele peso
Que em nada
Vai edificar


Choro sim,
Junto à seiva bruta
De meu aconchego poético
Pois sei que cedo ou tarde
Hei de lavar o rosto,
Ressurgir das cinzas
Só não prometo
Guardar mágoa
Muito menos a lágrima
Que remedia e trata
A alma
Que me faz
Vibrar

by L.L.




"Não sou alegre nem sou triste. Sou poeta."

(Cecília Meirelles)

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A VIDA E SEUS TONS...





Não sei,
Mas acho que estou
Na ponte da idade madura...
Vejo algodão doce
E já sinto água na boca...
Ouço batucada
Os pés ficam loucos...
Vejo imagem do Mar,
É maresia nos olhos...


Não sei,
Mas penso estar na flor da idade
Da idade de viver
Como se fosse o hoje,
A última largada...
Me largando,
De encontro à vida
E tudo que nela,
For profundamente
Bom

L.L.

.

03.04
 *mais um ano de Vida...



terça-feira, 2 de abril de 2013

SEM ALARDE..



Porque há dores

E dores...
Algumas se enroscam
Sem nome
Sem alarde
Sem firula...
Porém,
Vigorosa e calma...

.


Feito a superfície
De um rio brando
Somos um manto 
Cobrindo a profundidade
Inalcançável,
Onde não se pode tocar
Nem ver,
Enquanto o movimento 
Angustiante 
Se debate
Nas entranhas 
Do Ser








L.L.