quarta-feira, 19 de novembro de 2014

ESCUDO



Pois quem tem luz própria 

Traz consigo um escudo 
Um amuleto natural..
Se depara com a truculência
Entre tantos vendavais...
E compreende
Que mesmo a Natureza mais sublime
Necessita de reformas
Para se reajustar...







liza
leal

sábado, 27 de setembro de 2014

FAZ DE CONTA...

Mais uma vez 
Me faço de santa..
Fortaleza..
Escudo..
Carro blindado..

Faço de conta

Que seu súbito gesto falado
Não passa 
De impulso
Um dardo impensado
Continuo, por ora,
Sendo poço profundo 
De tolerância
Fonte abundante
Com movimento feito
De sensibilidade
Apurada 



liza
leal

terça-feira, 12 de agosto de 2014

DIA DOS PAIS



Revivendo coisas de uma época
Em que o tempo rei parecia ensolarado e preguiçoso,
E a certeza de vida plena era de uma ternura
Indecifrável.

Nas tardes em que a doçura era literalmente saboreada...
Compartilhada por nós...
"Nosso lanche da tarde" - doce em pedaço... picolé...

Por entre as ferramentas de trabalho do meu pai
Meus olhos assistiam a tudo, c/ o coração apertado.
Pavor imenso que ele pudesse se cortar...
Com suas facas gastas de tanto amolar...
O som dos motores da oficina.
Lixas... Colas... Pneus e solas... (Um cheiro que disse adeus tão cedo).
Inocência a minha!...
Combinação perfeita de pulso e fibra, ali havia.
No caráter e no capricho das mãos.
Meu pai era um exemplo de homem e cristão.

No fim do dia,
Recompensa em cruzeiros para "minhas despesas".

Seu belo sorriso. Seus olhos castanhos claros..
Cabelos lisos e negros(minha filha tem)
Entradas na testa(Meu filho também herdou)

Aulas de como se lê um "relógio", ele me deu.
Contas de dividir. (Que aflição meu Deus!) rsrs
Um som no rádio... O favorito - rei do baião.

Nosso último encontro foi em sonho.
Surgiu de uma luz clara.
Formoso e todo de branco. Chorei e me dei conta que era mais que um sonho.
Pai?!... E minha mãe? (...)
Abraço e emoção ímpar.

A vida continua, que bom!...
Isso é presente. Consolo divino.
Segue, meu pai...
Sua nobre missão,

Mensageiro de luz..
Num paraíso pleno de paz.


liza leal

segunda-feira, 7 de julho de 2014

QUE VEM E QUE PASSA...

O coração dá o "play"...
Balada naquele estilo
Show intimista 
Tocando os arquivos
Mais secretos
Reservo aquela poltrona cativa
Escolho um blues de cacife 
E a gente se aninha
Se entende, 
Se recorda
Se emociona e se fala
Flutuemos...
Tim-tim com reserva
Não estamos pra ninguém

(...)
É só mais um capítulo
Humanamente poético
De um caso com a "saudade".
Mergulho que vem e que passa
Já já dou stop ou pause
E encaro a realidade...
Afinal, há tempo para tudo...
E é assim que copiosamente
Sei existir

liza leal
















segunda-feira, 16 de junho de 2014

FIBRAS DA REDE




Suspiro.
Pairo. 
Existo
"In" perfeito estado
Desnudo a alma
Envolta na atmosfera 
Latente
Da maturidade

Dispo-me
De irrelevantes detalhes
Desses que
Não se encaixam...
Aqui dentro não cabem...

Lavo a alma
A pele..
Os sentidos..
Em gotas generosas
De arrepio
Invadem
Escorrendo por entre fibras
Da rede pungente
Chamada
Sensibilidade


liza leal


quarta-feira, 4 de junho de 2014

FOME DE VIDA

A fome que digo
É dessas:
Brilho no olhar de menino
Vibrante, na arena de um circo...
Pés enterrados, absortos...
Na areia branquinha...
Essa gana que digo,
É dessas que os bichos famintos
Literalmente
Tiram da boca,
Protegem sua cria...

No sincronismo da dança
Na fala do instrumento afinado
No riso estampado 
Na face de toda criatura pensante 
E só...
Carente 
De afago e alimento...
E todo aquele que perambula,
Sem gota alguma de compaixão
E o que dizer da fome de se amar...
Como se este fosse o último gesto da vida...

De dentro pra fora,
De fora pra dentro,
Zelo pela alma
Com toda força
Do sentimento


liza leal

sábado, 3 de maio de 2014

ROLAM OS DADOS...



Enquanto os dados rolam...
Nessa bendita hora...
Intensa e light
"De caso com a vida"
Furtivas doses emotivas

Em cálice
De arrepio
Sim, eu consigo.
Feito o deslizar veloz
Na tirolesa da Vida
Sentindo o lamber

Explícito
Do vento docemente

Selvagem
Na cara...

.

Enquanto
A engrenagem da Vida
Nortear "o barco"

Sem arrancar
A essência ritmada
Da doce meninice
Menina-mulher
Eu sou
Enquanto houver
Vida



(ao som de James Brown)
by L.L.